Que te torna verdadeiramente genuíno?
Não sou o que penso… As minhas acções são reflexos da minha alma ou dos meus pensamentos?
Quando sinto que sou genuíno? Ter receio, antecipar ou prever algo torna-me menos genuíno? Agir na pura inocência e de forma irreflectida é ser genuíno? Conhecer e aprender com tudo o que nos aconteceu na vida não impede este tipo de acção?
A vida tem-me ensinado a não ter medo de arriscar…mas da mesma forma me ensinou que, por exemplo, nada ganho com violência ou a “violar” a liberdade dos outros…
Desta forma, até que ponto é possível ser genuíno?
Diria que grande parte dos nossos pensamentos não serão genuínos mas moldados por muitas directrizes impostas pela nossa sociedade… Mas também muitas emoções que sentimos apresentam muitas dessas mesmas directrizes e/ou são reflexos do desejo imediato…também carentes da nossa essência genuína…
Este é um post diferente dos outros…
Estou a procurar conciliar aquilo que sinto com aquilo que penso… E perceber a existência de um “pensamento genuíno”…
Que estará mais de acordo com o próprio e será mais genuíno? Agir quando tudo diz que sucesso é quase impossível? Ou reservar-se quando uma vontade o impele a agir?
Se calhar agora faria sentido falar-se de intuição… De uma conexão superior de entendimento, que nos orienta… Já li vários textos em que invariavelmente se fala de intuição e pelo que percebo, será um entendimento entre um sentimento e pensamento genuínos…livres de qualquer tipo de razão ou lógica, que chegam a um entendimento…e a uma certeza única.
Difíceis e raros são os momentos em que se consegue percepcionar estes momentos de intuição, pois rapidamente somos invadidos por mais emoções e pensamentos que podem até certo modo tornarem-se contraditórios… Dúvidas e sentimentos de insegurança que tendem a deixar-nos então reservados e pensativos, tentando perceber o que realmente queremos e precisamos…
É interessante notar que a maioria das dúvidas e inseguranças que nos invadem têm todas um factor comum… Ginásticas mentais e sensações de ganho ou perda, transmitidas em discursos começados por “se” e “mas”…
À medida que escrevo começo a ficar sem palavras e começo a perceber que nenhuma conclusão será possível tirar, por mais tempo que fiquemos reservados e pensativos…
Paro para recordar…e penso pelo que já passei…e agora pergunto…
Quando foi que me senti mais genuíno?
E então percebo… Que genuíno me senti quando as minhas acções, meus pensamentos e minhas emoções não foram governadas por ilusões de ganho ou perda…mas única e exclusivamente porque sim… Genuíno me senti quando simplesmente fui… Não é isso que a vida me tem ensinado?
Durante muito tempo acreditei que tudo o que pensava era tudo eu e super genuíno… Mas tantas vezes percorri caminhos em que me perdi… E então deixei de confiar no que pensava… Julguei ser genuíno quando o que mais me movia era o que sentia…e reparei que também me perdi assim… E então parti na busca do que me faria ser mais genuíno… Procurei conciliar tudo o que pensava com o que sentia… Mas acabava sempre por me sentir incerto e inseguro, pois procurava a razão de tudo…
E foi então que parei de procurar…e foi aí que me encontrei…
Genuíno me senti quando agi sem ser para benefício pessoal ou para evitar perdas pessoais…
Genuíno me senti quando agi para sentir autenticidade pessoal…
Sentimento genuíno…aquele que não procura/espera resposta…e que nos impele a expressar o que somos…
(Que em nada se assemelha a acções irreflectidas…)
Pensamento genuíno…aquele que não busca a lógica…e que nos impele a agir para aquilo que precisamos…
(Sem planos para o que não é possível prever…)
Serei genuíno, quanto menos o calcular...
André
15-05-2011, 01:41