domingo, 1 de janeiro de 2012

Imensidão

Na imensidão do silêncio em mim,
Julguei o meu vazio encontrar.
Mas, na imensidão do meu peito senti,
Todo o imenso que tenho pra dar.

Louco, por meus espaços sem limites?
Limitado, pela presença de espaços...
Escasso, pela imensidão que transmito!
Imenso, por aquilo que te sinto.

Tua voz, em mim vibra..
Tua pele, em mim harmoniza..
Meu imenso contigo partilho,
E em imensidão...eu fico.


André
26-12-2011, 18:09

sábado, 14 de maio de 2011

Pensamento Genuíno

Que te torna verdadeiramente genuíno?

Não sou o que penso… As minhas acções são reflexos da minha alma ou dos meus pensamentos?
Quando sinto que sou genuíno? Ter receio, antecipar ou prever algo torna-me menos genuíno? Agir na pura inocência e de forma irreflectida é ser genuíno? Conhecer e aprender com tudo o que nos aconteceu na vida não impede este tipo de acção?
A vida tem-me ensinado a não ter medo de arriscar…mas da mesma forma me ensinou que, por exemplo, nada ganho com violência ou a “violar” a liberdade dos outros…  

Desta forma, até que ponto é possível ser genuíno?

Diria que grande parte dos nossos pensamentos não serão genuínos mas moldados por muitas directrizes impostas pela nossa sociedade… Mas também muitas emoções que sentimos apresentam muitas dessas mesmas directrizes e/ou são reflexos do desejo imediato…também carentes da nossa essência genuína…

Este é um post diferente dos outros… 
Estou a procurar conciliar aquilo que sinto com aquilo que penso… E perceber a existência de um “pensamento genuíno”…

Que estará mais de acordo com o próprio e será mais genuíno? Agir quando tudo diz que sucesso é quase impossível? Ou reservar-se quando uma vontade o impele a agir?

Se calhar agora faria sentido falar-se de intuição… De uma conexão superior de entendimento, que nos orienta… Já li vários textos em que invariavelmente se fala de intuição e pelo que percebo, será um entendimento entre um sentimento e pensamento genuínos…livres de qualquer tipo de razão ou lógica, que chegam a um entendimento…e a uma certeza única.
Difíceis e raros são os momentos em que se consegue percepcionar estes momentos de intuição, pois rapidamente somos invadidos por mais emoções e pensamentos que podem até certo modo tornarem-se contraditórios… Dúvidas e sentimentos de insegurança que tendem a deixar-nos então reservados e pensativos, tentando perceber o que realmente queremos e precisamos…

É interessante notar que a maioria das dúvidas e inseguranças que nos invadem têm todas um factor comum… Ginásticas mentais e sensações de ganho ou perda, transmitidas em discursos começados por “se” e “mas”…

À medida que escrevo começo a ficar sem palavras e começo a perceber que nenhuma conclusão será possível tirar, por mais tempo que fiquemos reservados e pensativos…

Paro para recordar…e penso pelo que já passei…e agora pergunto…
Quando foi que me senti mais genuíno?
E então percebo… Que genuíno me senti quando as minhas acções, meus pensamentos e minhas emoções não foram governadas por ilusões de ganho ou perda…mas única e exclusivamente porque sim… Genuíno me senti quando simplesmente fui… Não é isso que a vida me tem ensinado?

Durante muito tempo acreditei que tudo o que pensava era tudo eu e super genuíno… Mas tantas vezes percorri caminhos em que me perdi… E então deixei de confiar no que pensava… Julguei ser genuíno quando o que mais me movia era o que sentia…e reparei que também me perdi assim… E então parti na busca do que me faria ser mais genuíno… Procurei conciliar tudo o que pensava com o que sentia… Mas acabava sempre por me sentir incerto e inseguro, pois procurava a razão de tudo…
E foi então que parei de procurar…e foi aí que me encontrei…

Genuíno me senti quando agi sem ser para benefício pessoal ou para evitar perdas pessoais…
Genuíno me senti quando agi para sentir autenticidade pessoal…


Sentimento genuíno…aquele que não procura/espera resposta…e que nos impele a expressar o que somos…
(Que em nada se assemelha a acções irreflectidas…)

Pensamento genuíno…aquele que não busca a lógica…e que nos impele a agir para aquilo que precisamos…
(Sem planos para o que não é possível prever…)


Serei genuíno, quanto menos o calcular... 


André
15-05-2011, 01:41

sábado, 30 de abril de 2011

Timeless Time

Atrasado… Cheio de pressa…

Dei comigo parado…
Apenas a olhar… A cheirar…

Passei ausente aquele mesmo caminho vezes sem conta, sem reparar em nada ou ninguém… Mas por um momento… Talvez revoltado com toda a minha ausência do momento e farto de ter pressa…parei!

Estava sozinho… Não estava a conversar com ninguém, a falar ao telefone ou com outro motivo qualquer que me fizesse sair momentaneamente do meu domínio fictício mental, controlado pelo que já foi feito e o que está por ser concretizado… Parei e estava simplesmente a observar…

Como me estava a sentir?

Digo trabalhar para o que gosto, planeio saídas com amigos para me divertir e tenho a “sorte” de ser capaz de preencher os meus dias… Mas igual à maioria das pessoas que me rodeava, estava stressado e ausente, não gozando nada do percurso que executava… E porquê? Escolher ficar stressado não me iria fazer chegar mais cedo… Não faria o meu trabalho correr melhor e definitivamente não me deixaria cheio de vitalidade para estar com as pessoas…

Noto e ‘re-noto’ que a maioria de nós não tira qualquer prazer do seu estar… Que não se sabe agradar e estar consigo mesmo e vive obcecada com o tempo… E dessa forma descentrada e desmoralizada percorre mecanicamente o seu caminho até ao seu trabalho e/ou amigos… Sentido apenas alivio à saída do trabalho e/ou quando se encontra de facto com alguém com quem falar… Muitas vezes para dizer o quão stressante a vida é…

Senti a necessidade de me encher e apaziguar…
De parar e tirar um tempo para mim…
E é engraçado, como nestas situações de stress tudo nos tende a cair das mãos ou como invariavelmente batemos contra algo e nos aleijamos…
Que melhor maneira existe para nos afastar da prisão mental em que nos fechamos e nos virarmos para nós e para o que nos rodeia?

Fiquei apenas um par de minutos parado… Os suficientes para perder o metro é certo… Mas…

Aparentemente, tinha-me atrasado e continuava com muito por fazer…mas parado… Dei comigo a gozar… Observava e absorvia tudo à minha volta como se estivesse a observar uma paisagem paradisíaca estupenda…e definitivamente não era isso que estava a ver…hora de ponta em Lisboa, muitos carros, muitas pessoas…muita agitação!

Dois minutos inauditos que me colocaram no presente e a caminho do que tinha para fazer mas agora aproveitando o momento… Não tinha menos para fazer e até fiquei atrasado… Mas não importa… Sem stress… Porque independentemente da situação em que me encontrava… Eu estava a vivê-la! E assim pude apreciar a singularidade de cada passo que estava a dar e que ainda viria a dar…

Procurar desta forma viver/presenciar todas as santas horas da minha vida (e não apenas o fim do dia) e puder assim reparar como um local completamente banal e inóspito se pode tornar tão…surpreendenteCan really put a smile on your face!



Pára por um momento… Observa-te e observa… And keep going with joy…



André
01-05-2011, 03:38

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Perfume para ti

Enquanto por meus pés caminhei,
Perfume pus para mim.
Apaixonado e motivado,
Perfume pus para mim.

Enquanto meu foco me guiou
A vida te trouxe até mim…
Quando meu foco se deslocou
Perfume pus para ti.

Paixão ardente me domou,
Deixando meu foco sem cuidado...
Sem cuidado, me desleixei,
E perfume pus para ti.

De essência perdida em ti, me revi,
E meu foco avistei...
Sem cuidado apenas recordei,
Que outrora, sobre meu pés caminhei.

Minha essência perfumada procurei,
Mas sem foco me encontrava.
Pois perfume pus para ti,
E meu foco a ti te dei.

Não mais detinha da minha essência,
E por isso, deixei.
Aprendi com paciência,
E perfume pus para mim.

Com meu foco recuperado,
E agora perfumado…
Espero sobre meus pés caminhar,
De novo motivado!


André
18-04-2011, 19:19

sábado, 16 de abril de 2011

Torna-te especial, escolha tua

“O que te torna especial? Que te distingue de todos? Que te aproxima de todos?”

A dada altura da nossa vida todos nós sentimos necessidade de nos sentirmos únicos entre muitos, valorizados pelas nossas prestações, amados por quem amamos… Mas qual é a tendência natural, induzida pela nossa “aprendizagem” quotidiana, que a maioria de nós representa perante estas questões? Em que se baseia esta tendência?

Esta “necessidade” de reconhecimento e de valorização parte de onde?

A maioria de nós diria de forma convicta ser merecedora de tal valorização graças aos seus ideais, à sua representação social, à sua crença, ao seu sacrifício e a todos os obstáculos ultrapassados. A maioria de nós sentiria a plenitude do reconhecimento e valorização após o julgamento inapropriado, injusto e deslocado dos que nos rodeiam… Mas isto não dura, nem é possível… Diria que a maioria de nós já experienciou esta mesma sensação/ilusão. Um mundo inabalável de lazer egotista, amizades cínicas e amores egoístas… Que se desmorona como uma autêntica bola oca de vidro…

Um mundo onde os alicerces se baseiam em valorizações deslocadas de nós, não pode ter outro destino… E muito penoso é o caminho daquele que procura manter esses mesmos alicerces. Onde a plenitude da ilusão se transforma na angústia diária incessante da manutenção dos mesmos ideais e da “honra” do seu posto social.

Não é fácil desistir destas ideias…é por elas que tantos de nós se tem governado ao longo de tantos anos. E ao fim de algum tempo, qual é a grande “conclusão” que todos partilhamos? …que a felicidade é uma ilusão… Que não existe nada mais do que “momentos de alegria”… (que na maioria das vezes…pertence ao passado)

Porquê?

E porque é tão fácil aceitar este triste fado?

A maioria de nós vive agarrado a feitos do passado e repleto de planos para o futuro. Recordamos o passado, planeamos o futuro e construímos uma imagem social que permita atingir os nossos objectivos através do julgamento dos outros. Não dura…se envelheces, ganhas uma ruga, ficas lesionado, perdes um autocarro ou levas com uma caganita de pombo na tromba, dás por ti cansado (de tanto correr), desvalorizado (por incapacidade de manter a mesma postura social) e vazio…

Vazio por quê? A dada altura paras e reflectes…e notas que este vazio sempre te acompanhou e sempre ele fez crescer em ti a sensação de insegurança, que te lançou na busca anterior, descentrada, de valorização.


Isto não é viver! Acorrentado ao passado, dando passos maiores que a perna para um futuro incerto previsível… Nada disso existe! O que existe é este preciso momento! O agora! Estou aqui às tantas da manhã a escrever isto e é isso que existe, é isso que sou! Escrevo como se estivesse a falar para outros lerem, mas não…estou neste preciso momento a falar comigo mesmo.

Mas assim…quem valoriza? Quem valoriza o agora?

Somente nós próprios é que seremos capaz de adquirir e conferir tal valorização!

Não é no passado nem no futuro que se sente felicidade... E é por isso que temos de aprender a conseguir sorrir de dentro para fora…iluminando o recanto mais escuro em nós próprios. Conseguir isto torna-nos transcendentes!

Ninguém conseguirá conferir-nos tal tranquilidade, paz, valor, objectivo e amor se não nós próprios. É o reconhecimento e valorização própria que nos permitirá alcançar um estado de espírito tranquilo e feliz. Quando digo tranquilo não está minimamente relacionado com irresponsável, mas sim de um estado responsável, convicto e confiante. Basicamente, um estado de espírito auto-confiante, com elevada auto-estima sem qualquer dependência de valores exteriores a nós próprios.

Só a partir deste estado é que será possível experienciar algo como a felicidade e só assim será possível ser capaz de partilhá-lo com mais alguém… O que nos torna especiais, somos nós próprios.


André
16-04-2011, 02:02